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Geoff Tate no RCA Club em Lisboa – 2025

Em uma chuvosa noite de segunda-feira, pouco convidativa para um show, Geoff Tate
brindou os fãs de metal e rock de Lisboa com a The Big Rock Show Tour no RCA Club
palco do encerramento da turnê. Acompanhado por uma banda fenomenal e esbanjando
carisma e presença de palco, ele prometeu uma noite de clássicos — e cumpriu essa
promessa com maestria!


Com uma carreira de mais de quatro décadas, Geoff Tate se consagrou como uma das
vozes mais icônicas do metal progressivo. Ex-vocalista do Queensrÿche, banda que ajudou
a definir o gênero nos anos 80 e 90, ele foi aclamado por sua técnica vocal única e
interpretações intensas. Após sua saída do grupo, Tate seguiu uma bem-sucedida carreira
solo e também colaborou com bandas como Avantasia. Agora, com a The Big Rock Show
Tour, ele revisitou hinos que marcaram gerações, levando os fãs a uma verdadeira viagem
no tempo.

Josh Watts (Ivory Lake)

Antes de Geoff subir ao palco, Josh Watts (Ivory Lake) teve a missão desafiadora de
entreter um público ansioso pelos grandes sucessos do metal dos anos 80. Com sua bela
voz e uma guitarra acústica, ele conquistou os presentes com um talento inegável.
Quando os membros da banda começaram a entrar no palco, tocando o icônico hit ‘Empire’,
do álbum homônimo do Queensrÿche (1990), ficou claro para o público que a noite
começava de forma impactante. A sequência seguiu com mais três faixas: “Desert Dance”, ”I
Am I” e ”Sacred Ground”. No entanto, confesso que não me empolgaram tanto, pois, em
minha opinião, essas músicas estão distantes do que eu considero a ”era de ouro” do
Queensrÿche, formada por álbuns como The Warning (1984), Rage for Order (1986),
Operation: Mindcrime (1988) e Empire (1990).

Geoff Tate

Logo depois, Geoff surge com seu saxofone, deixando o público ainda mais entusiasmado
com o que estava por vir. Após uma breve demonstração desse outro talento, ele anuncia a
música “The Thin Line”, uma balada que mistura de forma interessante metal progressivo e
rock alternativo, evidenciando a versatilidade musical do vocalista.

A noite começou a esquentar quando a banda avançou ainda mais na máquina do tempo,
executando uma tríade de sucessos do álbum Operation: Mindcrime (1988): “Operation:
Mindcrime”, “Breaking the Silence” e “I Don’t Believe in Love”. Nesta última, Geoff aproveitou
para descansar a voz nos refrões, já que o público soube ajudá-lo muito bem. Para mim, foi
um dos momentos mais emocionantes do show, não só porque é uma das minhas músicas
favoritas do Queensrÿche, mas também porque era nítida a expressão de emoção e
gratidão de Geoff ao ver o público cantando junto, demonstrando todo o seu
reconhecimento.

Na sequência, tivemos “NM 156” e “Screaming in Digital”. Nessas duas faixas,
principalmente na primeira, é possível perceber as influências tecnológicas e futuristas que
marcaram a banda da qual Geoff fez parte por décadas. Após essas apresentações, o
artista fez um breve discurso, com tom engraçado, sobre sua paixão por esses temas e
sobre vivermos em um mundo tão conectado.

Também tivemos o equilíbrio perfeito entre o som intenso e pesado de ‘Walk in The
Shadows’, a vibe melódica e progressiva de “Another Rainy Night (Without You)” e a emotividade contagiante e energética de “Jet City Woman”, que trouxe uma atmosfera única
e envolvente.

Na sequência, Geoff anunciou que começaria a apresentar algumas das músicas que ele
considera mais especiais, iniciando justamente com a icônica ‘Silent Lucidity’, que
atravessou gerações. Geoff, então, aproveitou para comentar que vários fãs relatam que
essa música serviu de trilha sonora para momentos importantes, como casamentos, funerais
e até concepção de crianças — incluindo duas de seus próprios filhos.

Geoff Tate e sua banda também nos brindaram com um cover do Pink Floyd. Tanto a voz de
Tate quanto a performance da banda se encaixaram perfeitamente na execução de
‘Welcome To The Machine’.
Para encerrar a noite, não poderiam faltar dois grandes clássicos que marcaram os
primeiros anos de carreira do Queensrÿche: “Take Hold of the Flame” e a música que
inspirou o nome da banda, “Queen Of The Reich”.

Por fim, só posso dizer que o show foi incrível e memorável. Apesar de ser uma pessoa que
nasceu na década de 90, sou uma grande admiradora do Queensrÿche e de Geoff Tate em
todos os projetos nos quais ele participa, e o impacto das suas canções é inegável. A
energia do metal daquela época, com suas letras profundas e sonoridade única, continua a
ressoar com força. É justamente essa atemporalidade que faz com que shows como o de
Geoff Tate se tornem verdadeiros marcos, conectando gerações e mantendo viva a magia
do metal clássico.

Setlist ao Vivo

Geoff Tate

Local: RCA Club
Localização: Lisbon, Lisbon, Portugal
Data: março 10, 2025
Digressão: Big Rock Show Hits

Set 1

  1. (gravação)
  2. Empire (versão de Queensrÿche)
  3. Desert Dance (versão de Queensrÿche)
  4. I Am I (versão de Queensrÿche)
  5. Sacred Ground (versão de Queensrÿche)
  6. The Thin Line (versão de Queensrÿche)
  7. Operation: Mindcrime (versão de Queensrÿche)
  8. Breaking the Silence (versão de Queensrÿche)
  9. I Don't Believe in Love (versão de Queensrÿche)
  10. NM156 (versão de Queensrÿche)
  11. Screaming in Digital (versão de Queensrÿche)
  12. Walk in the Shadows (versão de Queensrÿche)
  13. Another Rainy Night (Without You) (versão de Queensrÿche)
  14. Jet City Woman (versão de Queensrÿche)
  15. Silent Lucidity (versão de Queensrÿche)

Encore

  1. Welcome to the Machine (versão de Pink Floyd)
  2. Take Hold of the Flame (versão de Queensrÿche)
  3. Queen of the Reich (versão de Queensrÿche)

Créditos

Fotografia

Vitor Lage

Crítica

Daniele Almeida

Artista

Geoff Tate

Local

RCA Lisboa, Lisboa, Portugal