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Xapada Fest 2026

O Xapada Fest 2026, realizado no mês de janeiro para abrir bem o novo ano, com violência maciça, destruição e um banho de gore ensanguentado.

Localizado em Lisboa, mais especificamente, no RCA Club, o evento de metal extremo feito de fãs para fãs de Grindcore e Brutal Death Metal, conta com mais de 13 anos de existência no mundo do metal extremo, antes de 2024, chamado “XXXapada na Tromba”, contou com as suas edições anuais entre 2014 e 2023 (sem existência em 2021 e 2022 devido à Pandemia de Covid-19).

Mudou o nome para Xapada Fest no ano de 2024, mas nada mudou em relação ao cartaz que continuou a ser uma verdadeira “Xapada”, um festival muito acarinhado pelos fãs portugueses e, não só, existindo diversos fãs oriundos de vários pontos da Europa e do Mundo que vêm conhecer Lisboa e conhecer o Xapada Fest, trazendo as bandas, mais populares dos próprios subgéneros.

Infelizmente, a organização comunicou que, devido à sua vida pessoal, terá de deixar a organização do Xapada Fest, o que faz com que a restante organização anunciasse, publicamente que, após a edição de 2026, existirá uma paragem no festival, com intenção de regressar no futuro, mas tudo indica que em 2027 não haverá Xapada Fest.

Aproveitamos então que estamos em 2026, e seguimos até aos dias 16 e 17 de janeiro, onde o festival trouxe ao seu público bandas como Behedead (Malta), Rotten Sound (Finlândia), Unfathomable Ruination (Reino Unido) e Stillbirth (Alemanha), mas também contou com grande nomes portugueses como Analepsy, Serrabulho, Besta e Bleeding Display, uma mentalidade forte e coesa que apoia totalmente o underground do metal extremo português, como manda a lei do Xapada.

RCA Club foi o espaço que acolheu um evento que prometia ser brutal, mortífero e, acima de tudo, memorável.

Sexta-feira, dia 16 de janeiro, um dia que alguns fãs esperam inquietamente há meses, o início do Xapada Fest 2026. Às 17:30h começa o Xapada, uma violência que será prolongada até à madrugada de domingo. Para abrir, nada melhor que:

PODRE

Uma banda portuguesa de Grindcore, vinda diretamente da Covilhã, formada em setembro de 2024, sem nenhum álbum de estúdio gravado, contando, apenas, com uma demo, mas com uma gigante vontade de crescer.

Apresentam aos seus seguidores um Grindcore com influências de Slam e Crust, sujo e rápido com temas curtos. Porém, no meio de toda a brutalidade, apresentam uma voz com guturais fortes e graves, nada melhor para aquecer o público que se prepara para um noite bruta. Mudança do palco durante 15 minutos e siga a próxima.

COLPOCLEISIS

Diretamente de Liverpool, com mais de 10 anos de carreira, trazem até Lisboa o seu Slam/Brutal Death Metal. “Colpocleisis” é um termo médico para um procedimento cirúrgico (fecho do canal vaginal). Acompanhando a tradição de bandas como Carcass, usando nomes clínicos e grotescos para chocar, mas com um toque de humor negro muito britânico, marcado por ser o último concerto do vocalista Jon Burr com a banda. Assim, os Colpocleisis a fecharem o seu ciclo com os vocais absurdos de Jon Burr, algo cheio de breakdowns lentos e pesados que dão vontade de fazer headbang em câmara lenta, o público fica sobre riffs lentos e rítmicos que criam uma sensação de esmagamento, conta com guturais sujos de Jon Burr que, por vezes, parecem gargarejos profundos. Um concerto onde o público começou a chegar e a movimentar a “pista” do RCA Club.

AMPUTATED

Diretamente de Inglaterra, como os seus conterrâneos anteriores, desta vez, não de Liverpool mas de Bristol, nascidos em 2002, tiveram atividade até 2015, fazendo uma paragem até 2022 onde regressaram aos palcos do metal extremo.

Amputated apresenta o seu Brutal Death Metal, destacando-se pela sua agressividade sonora e pelas suas apresentações intensas que o vieram provar, uma mistura de técnica apurada com uma “sujidade” propositada com um groove pesado, mas lento das suas guitarras. Usam uma combinação de guturais profundos “pig squeals”, típicos do Goregrind, uma banda que, tal como Colpocleisis, provou que o mercado do metal extremo Inglês tem muito ainda para dar.

BESTA

Um dos nomes mais importantes para o Grindcore Português, formados em Lisboa no ano de 2012, representam Portugal fora de portas, levam na bagagem tours europeias e realizaram ainda uma Tour pelo Brasil, tanto como apresentações em palcos míticos de festivais europeus como o Obscene Extreme (Chéquia) e o Resurrection Fest (Espanha). Apresentam-se no Xapada Fest 2026 com o seu Grindcore cantado em Português, com uma apresentação energética, desde o vocalista Paulo Rui, passando pelos guitarristas Rick Chain e Ricardo Matias, até ao baterista Paulo Lafayette.

Os seus temas são críticas, pessimistas e focadas no “eterno rancor” contra a sociedade e a condição humana, surgem guitarras com riffs rápidos e uma voz gritante, uma descarga total de agressividade. O público adora, enaltece a banda, a agressividade torna-se cada vez mais ríspida em quem os ouve…

Segue-se o tempo de pausa, onde se reencontram amigos, mete-se a conversa em dia, com uma bebida a acompanhar. Acaba a pausa e entra em palco uma das bandas mais intensas do 1º dia do Xapada Fest.

EMBRACE YOUR PUNISHMENT

Diretamente de Valenciennes (França), formados oficialmente em 2009, com o nome Embrace Your Punishment. Foram formados, inicialmente, em 2004, com o nome C-Vice, apenas em 2009 decidiram mudar o nome e lançar uma sonoridade mais focada na mistura de Brutal Death Metal e Hardcore, inspirados na agressividade do Brutal Death Metal mas com partes muito incutidas em Hardcore.

Apresentaram nesta edição um concerto totalmente agressivo, mas com precisão cirúrgica na bateria e com riffs muito bem definidos e distorções de guitarra dissonantes com blast beats agressivos e com um groove sempre bem presente. Um concerto aguardado por grande parte do público, como bruto e avassalador e assim foi, cumpriu todas as excelentes expetativas colocadas na banda.

Mais uma mudança de palco e a violência continua, neste caso, com os Belgas.

BRUTAL SPHINCTER

Formados no ano de 2012, na cidade de Liège (Bélgica), destacam-se pelo seu Brutal Death/Grindcore cheio de humor, as suas temáticas baseiam-se desde a desconstrução social até sátiras, passando por desvios sexuais, gozam com o sistema, com a religião e com os problemas sociais, mas sempre através de uma camada de humor “nojento” e absurdo.

Como uma das bandas mais esperadas da noite e da própria edição, colocaram um peso extremo com variação entre guturais penetrantes e alguns “pig squeals”, acompanhados por breakdowns graves e arrastados.A banda apresenta uma interação incrível com o público, onde alguns dos seus mais féis seguidores sobem ao palco e divertem-se com a banda, no tema “The Art of Squiryong”, pedem a todas as mulheres presentes para fazerem um circle pit gigante.

O pedido é respeitado pelo público sendo, exclusivamente, as “senhoras” a fazer agitar a plateia, com muitos acessórios, desde chapéus até óculos de sol de diferentes feitios, a demonstrar o seu excelente humor. O público vibra e diverte-se até ao fim da sua atuação, uma performance que ficou marcada na memória de todos os seus fãs presentes.

UNFATHOMBLE RUINATION

Nascidos há mais de 10 anos, concretamente em 2012, os mestres londrinos do Technical Brutal Death Metal mostraram ao público do RCA como fazer um violento estrago em 50 minutos. Trouxeram na sua bagagem uma Brutalidade Intelectual, os seus temas são labirintos de mudanças de tempo com blast beats constantes e riffs de guitarra que parecem impossíveis de executar.

O público invade o palco e continua a fazer a festa, desta vez, uma festa muito mais violenta e não tão “humorista” como na banda anterior. Os vocais de Mallika Sundaramurthy trazem um barbaridade e dinâmica de agressividade diferente dos registos habituais, as suas músicas abordam temas como a destruição até à futilidade humana e ao horror cósmico.

O público vibra e a agressividade do metal extremo sente-se em cada canto do RCA, desde headbangs até moshpits e crowdsurfing, algo que dominou todo o concerto. As hostes estão bem abertas, o público está quente e fervoroso, à espera de mais, neste caso, à espera do “cabeça de cartaz” do primeiro dia do Xapada Fest.

Dentro de momentos, entravam os gigantes Beheaded vindos, diretamente, de Malta.

BEHEADED

Há mais de 30 anos que os consagrados Beheaded provocam a destruição maciça nos seus palcos. Formados em 1991, na região de Fgura, localizada no sudeste de Malta, em praticamente 35 anos de existência, os mestres do Death Metal de Malta trazem na sua bagagem 7 álbuns de estúdio e um legado difícil de alcançar, tocando nos festivais mais importantes da Europa como o Wacken Open Air (Alemanha), Hellfest Open Air (França), Resurrection Fest (Espanha).

Tocaram ainda no Obscene Extreme (República Checa), o festival mais consagrado de géneros como o grindcore e Brutal Death Metal, já pisaram também o palco do consagrado SWR Barroselas, realizado no distrito de Viana do Castelo, anualmente, os míticos Beheaded compartilham a mesma editora (Agonia Records) que a banda anterior Unfathomable Ruination.

Sobem ao palco e demonstram, à sua legião de fãs, o peso do Death Metal no seu estado mais puro, com 10 temas avassaladores. Rápido e pesado, conta com blast beats implacáveis do baterista Davide Billia e riffs de guitarra de Simone Brijo e Fabio Marasco que parecem serras elétricas, tudo isto com o baixo de David Cachia, o elemento mais antigo na banda, desde 1991. Uma set-list em que os mestres do Death Metal ecoam um som denso e sufocante, uma sonoridade que enche toda a sala, contam com os guturais de Frank Calleja com períodos graves alternando com registos rasgados, com uma set-list mais focada no seu novo álbum “Ghadam” lançado em julho de 2025.

Com um registo mais focado no Death Metal, com a existência de partes ligeiramente mais melódicas, apresentam temas como o sofrimento interno que penetra a mente, o caos e as visões obscuras acerca da humanidade, destaca-se por ter sido um dos concertos, ou mesmo o concerto mais intenso e vigoroso da edição de 2026 do Xapada Fest.

A festa, desta vez, é realizada mais na pista e não tanto no palco,como em algumas bandas anteriores, uma festa não tão humorada mas mais séria, onde a violência se espalha dentro do moshpit. Terminam de uma forma bruta, com o seu tema “B’niket inhabbru I-mewt, do seu novo álbum.

Após o cancelamento de Bone Carver, anunciado dias antes do início do festival, surgem os substitutos Inhuman Architects , uma banda que promete crescer a cada dia que passa e causar a brutalidade nos palcos, não só em Portugal, mas pelos quatro cantos do mundo.

INHUMAN ARCHITECTS

Os lisboetas formados em 2020 que tinham dado por terminada a atividade da banda em 2023, com uma curta paragem até 2024, tornando-se ativos, causando, novamente, a brutalidade nos palcos portugueses.

Apresentaram o seu Deathcore, com uma excelente técnica. A sua execução ao vivo é cirúrgica, com riffs de guitarra pesadíssimos, estruturas rítmicas complexas e uma produção muito densa com breakdowns de fazer levar a cabeça até abaixo, os seus temas tratam-se de assuntos como a extinção humana e a invasão alienígena.

O público não demonstra cansaço e a agitação continua sem parar.

LETHARGIC

Mesmo com a madrugada a surgir, o cansaço do público não se fazia notar, o seu entusiasmo era imenso. Entra em cena a última banda da 1º noite da edição de 2026. Diretamente de Salamanca (Espanha) os “nuestros hermanos” Lethargic, formados em 2016, vieram acabar em perfeição uma noite agressiva, neste caso, apresentaram o seu Death Metal com um toque lento de Doom Metal, com vocais rasgados e um peso que puxava os corpos para baixo.

Os seus temas, marcados por histórias conceituais e de horror, terminam o 1º dia do evento, não com registos semelhantes a bandas anteriores, mas, de uma forma especificamente bruta, que resultou na perfeição. Um 1º dia, memoravelmente agressivo e impetuoso, onde o ambiente vivido é incrível, onde o grotesco e o brutal se juntam com o sentido “humorístico” incrível e com muita diversão.

Xapada Fest – Dia 2

17 de janeiro de 2026, o 2º dia do Xapada Fest, a festa começa, amigos e conhecidos reúnem-se um pouco mais cedo, 30 minutos antes das portas se abrirem já se vê movimento pelas ruas vizinhas do RCA Club, até que começa mais um dia da 26ª edição deste festival incrível. São 17 horas e nada melhor para abrir do que:

CRUCIVORE

Um novo projeto formado no ano de 2025, ainda a estrear-se nos palcos, contando com nomes de peso na sua formação, como Sérgio Pascoa na guitarra (Organizador do Xapada Fest e ex-Downfall of Mankind) e Cláudio Melo no baixo (ex-Downfall of Mankind).

Apresentaram ao público o seu Brutal Death Metal com algumas pitadas de Slam, uma apresentação que conta com os vocais de “Ricardo Bugs”(ex-Analepsy) que são guturais, enérgicos e “pig squeals”, acompanhado de uma guitarra cortante e de um baixo bem presente com um bom Groove e uma boa energia para abrir as hostes, breakdowns muito marcado pelos potentes breakdowns, com a participação de alguns convidados especiais como Lucas que participou num tema como vocalista.

Um concerto que abriu muito bem uma tarde/noite que promete ser esmagadora.

E agora é tempo dos mestres do Death Metal subirem ao palco, já se espera um cenário grotesco e sangrento.

BLEEDING DISPLAY

O lisboetas formados no ano de 2000, conhecidos por avassalarem palcos, seja em Portugal ou no estrangeiro, sobe ao palco uma das bandas portuguesas de Death Metal com maior apreciação pelo público. Apresentam uma verdadeira potência sonora, levam na sua bagagem 3 álbuns considerados material perigoso, erosivo e de alta carga, já marcaram presença em diversos palcos europeus.

Carregados de sangue e energia, apresentam o seu Death Metal, com alguns traços de Brutal Death, que cativa qualquer ouvinte de metal extremo, cheio de ritmo que faz qualquer fã “abanar a cabeça”. Blast beats, guitarras de cortantes, acompanhados de um visual sangrento, principalmente, do vocalista Sérgio Afonso, a sua voz apresenta guturais extremos, com uma energia bruta e contagiante com o público, conta com breakdowns pesados e harmonizações de sweeps.

Apresentam uma setlist composta com temas escolhidos a dedo para que a crueldade do seu Death Metal fosse a vencedora da noite. Destaque para a participação de João Jacinto ex-membro da banda e atual baixista dos consagrados “Analepsy”, participa no tema ensanguentado o qual o nome “Killing Spree” do álbum “Deviance” (2014), termina uma atuação excelente e executada na perfeição com o tema “Inglorious Killing” também do álbum “Deviance”.

Desde a sua performance até ao comportamento do público, é mais uma prova que a Legião do Death Metal em Portugal está viva e recomenda-se, pois ainda tem muito para dar ao seu público, proporcionaram momentos de violência que satisfizeram qualquer fã de Death Metal.

Segue-se os Franceses

KANINE

Kanine, um projeto recente de Deathcore mas que promete ser mais um concerto energético e interessante.

Diretamente de Strasbourg, formados em 2020, já com um álbum lançado em 2022 e 4 Eps (1 em 2023, 1 em 2024 e 2 em 2025) apresentam um Deathcore com uns toques modernos. Um dos projetos com mais “hype” da nova cena francesa, são o exemplo da modernização do metal extremo que usa e abusa de harmónicos nas suas dissonantes guitarras, com breakdowns pesados e guturais graves.

A banda cativa cada vez mais o público, cujo movimento surge naturalmente, apresenta um groove realmente muito intenso que destaca a banda, surgem breakdowns cada vez mais lentos e decadentes, como se o som desse ao público uma verdadeira “Xapada”. A meio da sua apresentação, ” brincam” e mandam bolas de sabão para o público, mostrando que uma banda pode ser mais “séria”, mas sempre com uma pitada de humor, uma das maiores surpresas na edição de 2026.

Mais uma mudança rápida no palco para receber os portugueses vindos de Castelo Branco, a última banda antes da pausa do 2º dia do Xapada Fest 2026.  

DEAD MEAT

No ativo desde a sua data de formação (1993), vindos de Castelo Branco, a sua discografia conta com 4 demos (1997,1998,2001 e 2007), 2 Eps (2004 e 2020) e 1 álbum lançado em 2017. Os dois membros da banda são Dinis, o vocalista desde a sua formação, e Josen, na guitarra, também desde 1993, contam com Roland Barros na bateria, conhecido na cena do Metal português em geral, tem projetos como Namek, Grog e Scent of Death e ex baterista de Filli Nigrantium Infernalium, Sacred Sin, entre outras.

Apresentaram o seu Brutal Death Metal cheio de Gore,como se pode ver em palco com estandartes a exibir imagens grotescas e também pelas letras das músicas tocadas. A sua sonoridade apresenta guturais extremos uma vez mais, como manda a lei do Xapada que levanta a atenção do público, criam uma notável presença do baixo e de riffs totalmente dinâmicos muito baseados em clássicos do Death Metal.

Nesta sua apresentação, foram tocados temas do próximo álbum que, devido a contratempos, não saiu a tempo da sua apresentação, executaram uma excelente descarga que o público adorou.

Decorre o tempo de pausa, onde se convive e se mete a conversa em dia com uma bebida a acompanhar, cai a noite sobre o RCA Club e começa a 2º parte do 2º dia do Xapada Fest 2026, com a banda portuguesa que transforma os seus concertos em diversão total, desde o palco até ao público.

SERRABULHO

Diretamente de Trás-os-montes (Vila Real) formados em 2011, apresentaram ao público o seu Grind/Death Metal mas muito focado no Party-Grind, uma banda muito acariciada pelos seus concertos onde a diversão máxima é garantida.

Presentes em diversos festivais, anualmente, em Portugal e com presenças em grandes festivais europeus, como a grande casa mãe do Grindcore e do Party Grindo Obscene Extreme Festival na República Checa, Resurrection Fest em Espanha e o Rockstadt Extreme Fest realizado na Roménia, entre outros.

Boias, insufláveis, looks de praia, perucas… com os Serrabulho vale tudo na sua personificação, desde que a diversão e a “palhaçada” estejam incluídas. As suas temáticas vão desde a sátira até temas para desconstruir a sociedade à moda portuguesa, contam com um carisma e um humor muito único, a demonstração que o party-grind existe para divertir e tirar a seriedade encarada, por vezes, com um som bruto, cheio de guturais do vocalista Carlos Guerra, mas cheio de divertimento.

Temas como “Assicránia Post-Mortem Porto”, Star Whores”, “Porntugal (Portuguese Porno Death Metal)”e “Piss & Love”, são alguns do temas reis da noite, no público também vale tudo. a sua diversão com o público é notória e recíproca, desde comboios humanos gigantes, bolas, insufláveis, peluches, até Wall of Ass ( sim, basicamente, em vez de um Wall of death normal, o objetivo dos Wall of Ass dos Serrabulho que consta em o público ir, em vez de um contra o outro, é traseiro contra traseiro), uma interação brutal entre a banda e o público que conta com a diversão de todos.

A festa continua com a próxima banda, diretamente da Alemanha, apresentando o seu Surf Stoner Slam/Brutal Death Metal como os próprios se intitulam.

STILLBIRTH

Iniciando a sua atividade no ano de 1999, diretamente de Hagen, uma cidade alemã situada nos arredores de Dortmund, tiveram uma pausa na sua atividade entre 2004 até 2006 mas, desde 2006, continuam no ativo até aos dias de hoje. Levam na sua bagagem 9 álbuns de estúdio e grandes performances em festivais como Obscene Extreme (República Checa), Death Feast Open Air (Alemanha), Netherlands Deathfest (Países Baixos) e até do outro lado do oceano, no aclamado Maryland Deathfest (EUA).

Foram, muito provavelmente, a grande surpresa da noite, com uma atuação de uma qualidade extrema, tecnicamente sonoramente e muito divertida, onde os membros da banda tocam com calções de praia amarelos com o símbolo da própria banda, cheios de acessórios de praia. Atrás dos próprios, como pranchas de surf e bongos insufláveis (cachimbos de água) algo que chama bastante a atenção, o seu concerto é pura diversão, desde insufláveis que saltam do palco até ao público, com pranchas de surf a entrar no mar agitado de gente na plateia, neste concerto pode-se observar o verdadeiro crowdsurf, com registos de elementos do público e elementos de outras bandas a surfar o público em cima da prancha.

A sua sonoridade é uma parede de som massiva, mestres em quebrar o ritmo (breakdowns) a esta não é uma linha reta mas uma montanha-russa cheia de Blast-beats de Martin Grupe a dar um Groove ainda mais forte, no meio da brutalidade, as guitarras fazem “desenhos rítmicos” que têm um balanço quase “dançável”, entre a sátira.

Estar num mosh pit violento mas onde o ritmo convida a “surfar”, os vocais de Lukas Swiaczny variam entre screams agudos, que parecem saídos do grindcore, e guturais profundos (algo mais típico do Slam/Brutal Death Metal). Abordam temas como a crítica social, o apocalipse tropical, e o humor absurdo, usam expressões como “comer hambúrgueres no mosh” ou “surfar em ondas de sangue”, para gozar com os clichés sérios e gore do Death Metal tradicional.

Mais do que um concerto, foi uma experiência que ficou bem presente na memória de todos, uma atuação realmente memorável com a diversão sempre presente.

E agora é hora de mais uma voltinha no palco, uma rápida mudança e é hora ,não de terminar, mas de acalmar as brincadeiras, entra em palco o Cabeça de Cartaz do Xapada Fest 2026, os mortíferos e ultrassónicos:

ROTTEN SOUND

Um “Muro de Som” Escandinavo, diretamente de Vaasa, uma cidade situada na costa oeste da Finlândia, formado no ano de 1993 e sendo donos de um estatuto desejável por qualquer banda, o trio Finlandês, constituído por Keijo Niinimaa (vocalista), Mika Häkki (guitarrista) e Sami Latva (baterista), conta com 8 álbuns de estúdio e carrega prestações gloriosas em diversos palcos na Europa e na Ásia, em países como o Japão, Indonésia, Tailândia e Singapura e, no continente Americano, são presença habitual no Maryland Deathfest, o maior festival de metal extremo da América do Norte. Participaram em tours com bandas como Exhumed, Misery Index ou Napalm Death nos EUA e Canadá, atuaram em países como Brasil, México, Chile e Argentina, uma verdadeira banda de culto nos palcos de Grindcore nos quatros cantos do mundo.

Cerca de um ano após passarem em Lisboa, numa tour com Brujeria e Carcass (27/01/2025), regressam a uma vez mais para destruir a capital, apresentam temas políticos e sociológicos, como o próprio nome indica, referem-se à podridão do sistema capitalista e da ganância corporativa, criticam, frequentemente, a forma como as massas aceitam, de forma passiva, a sua própria destruição e contestam como a tecnologia e o Estado controlam e “desconstroem” a liberdade de cada indivíduo.

A sua sonoridade, inspirada na herança do Grindcore britânico, é misturada com o som de guitarra sueco (o famoso pedal HM-2 Boss usado por Entombed), tocam a uma velocidade atroz, mas, ao mesmo tempo, e, ao contrário de outras bandas de “caóticas”, os Rotten Sound demonstram uma precisão militar. A sua sonoridade é extremamente grave e distorcida, criam uma sensação de domínio físico constante, o público movimenta-se de uma forma totalmente hostil, sem controle do próprio corpo, cegos pela violência, uma boa interação com o público e uma boa atitude em palco fazem com que todos os presentes fiquem focados na sua agressividade.

Durante a sua atuação, há um fã que, entusiasmado com a violência, dá um salto do palco, mas, com tantos fãs a saltar ao mesmo tempo, não consegue obter ajuda de ninguém e cai, aparatosamente, no fim de um tema. Aparentemente ferido, com a ajuda dos restantes elementos, no meio da violência é retirado da sala para ser assistido, tendo o vocalista, Keijo Niinimaa, aproveitado para fazer uma pausa, verificar como estava a situação e pedir ao público cuidado e cautela. Um gesto que demonstra a preocupação com os seus fãs. O circle-pit continua e os Rotten Sound vão destilando a sua “raiva”, uma setlist composta por 21 curtos temas, pois cada música varia entre 2-3 minutos, como se fossem rápidas descargas de ira.

A sua setlist contou com maior presença dos seus álbuns “Apocalypse”, lançado em 2023, sendo o seu mais recente trabalho de estúdio com 6 temas e com 3 temas “Abuse to Suffer” (2016), uma exibição que foi uma verdadeira descarga sónica de fúria, provavelmente, tendo sido o concerto mais intenso do festival.

Terminam os assombrosos Rotten Sound, mas a intensidade continua, não de uma forma tão rápida, mas mais corpulenta. Os portugueses que têm conquistado cada vez mais seguidores e mais palcos pelo mundo fora, considerada uma das melhores bandas dentro do Slam/Brutal Death.

ANALEPSY

Considerada, por muitos, uma das melhores bandas a representar, mundialmente, o Slam/Brutal Death, mais uma prova de que o que é nacional é bom e tem de ser apoiado. Formados em 2013, em Lisboa/Ourém (Santarém) os Analepsy com 2 álbuns, um Slipt com os Noruegueses Kraanium, carregam nas costas a bandeira de Portugal pelo mundo fora, já realizaram tours nos EUA, Canadá e Japão, tocaram em palcos como Wacken Open Air, Summer Breeze e Deathfeast Open Air ambos em terras Alemãs, Obscene Extreme Festival na República Checa, entre muitos outros, provando que o Slam português é um produto de exportação de alta qualidade.

Uma banda muito querida para o público português e para Xapada Fest, lugar habitual onde tocam quase anualmente, desta vez, com uma diferente formação, contando com os portugueses Marco Martins na guitarra e João Jacinto (ex-Bleeding Display e ex-Dead Meat que também tiveram as suas apresentações no Xapada Fest neste mesmo dia), os guturais intensos e profundos surgem dos vocais do Romeno, Calin Paraschiv que também faz o papel de “lead guitar” e, na bateria, o Belga, Léo Luyckx.

Começa o esmagamento mental que parece que o som arrasta o corpo e o comanda, breakdowns completamente insanos, as suas guitarras apresentam com uma distorção viciante que penetra a mente e faz cerrar os dentes e modificar expressões faciais. A guitarra também se destaca pelo seu “Slam” um pouco mais lento mas ultra-grave, rítmico e com um peso indescritível, faz – se notar diversas vezes as duas guitarras a fazerem sweep picking , em simultâneo. Digamos que existe uma “desconstrução rítmica”, elevam o público a um nível de virtuosismo melódico antes de o arremessar de volta para a brutalidade rítmica. O público adora e vai ao rubro, toda a plateia se movimenta, ninguém está parado com a potência de Analepsy, principalmente no tema “Apocalyptic Premonition” do álbum “ Atrocities from Beyond” (2015) um hino ao “Slam” Mundial. A banda está contente de voltar ao Xapada Fest, interage com o público e agradece o seu apoio, a violência continua na plateia com os moshs e os crowdsurfs, é notável a satisfação da banda ao ver a felicidade dos seus membros lusitanos, é um orgulho tocar num festival que os viu crescer e que os apoiou sempre, certamente um dos concertos mais marcantes desta edição.

A noite estava na reta final e, infelizmente, os Inhume avisaram, no dia anterior, que não poderiam realizar o concerto pois o seu baterista sofreu um pequeno acidente. Os membros estiveram presentes mas a organização não teve hipótese de dispor de uma banda de substituição em tão pouco tempo, a festa segue e, para fechar o Xapada Fest 2026, vêm os nosso vizinhos espanhóis:

TEETHING

Vindos de Madrid, a sua terra natal e formados em 2011, contam com 2 álbuns de estúdio, apresentam um Grindcore com muitas influências de Hardcore, misturam a velocidade de Napalm Death com o peso e os breakdowns cheios de groove de bandas de Hardcore como Hatebreed, a sua sonoridade é suja, direta e feita para criar o caos absoluto no público. Atualmente, encontram-se a realizar uma tour com os magníficos Rotten Sound , com diversas datas em Espanha, já atuaram em grandes palcos europeus como o Obscene Extreme (Chéquia) e do Resurrection Fest (Espanha).

Os seus temas abordam a frustração, a corrupção, as amizades falsas e a “geração de merda”, é mais uma crítica social elaborada através de sarcasmo e da violência sonora, acompanhados de uma guitarra pesada e rápida com a bateria a uma velocidade elevada, os vocais variam, por vezes, ficam limpos e, outras vezes, apresentam screams rasgados e guturais, demonstram uma energia em palco e chamam pelo público, movimentando uma vez mais a plateia do RCA Club. O stage diving e crowdsurf permanece até ao fim, o público sobre ao palco, no último tema, acaba em grande o Xapada Fest 2026.

Um festival que dá um grande apoio a bandas mais pequenas dentro underground, com oportunidades para crescerem e se demonstrarem, com nomes de referência mundial em diversos subgéneros, desde o Grindcore até ao Brutal Death

A mistura da violência do metal extremo e a diversão de uma forma pura que nunca tinha presenciado, um festival fundamental para o público português e para a “cena portuguesa” do Metal extremo e do “Death Metal”, ficamos na dúvida de quando será a próxima edição, mas pedimos o mais rápido possível.

Obrigado ao Sérgio Pascoa e à Rita Limede pela oportunidade de escrever sobre o Xapada.

Créditos

Fotografia

Francisco Moura

Artista

Xapada Fest

Local

RCA Lisboa, Lisboa, Portugal