Saltar para o conteúdo

Brainstorm e Glasya no RCA Club: a nossa review da noite de 4 de fevereiro

As contínuas tempestades que assolaram Lisboa na primeira semana deste mês de fevereiro não vieram sozinhas e trouxeram consigo os alemães Brainstrom, que escolheram Lisboa como ponto de partida para a sua primeira tour de 2026, sendo também a estreia do novo baterista Kevin Lütolf. E assim foi, na noite de 4 de fevereiro, o RCA recebeu uma plateia que sabia exatamente ao que vinha: celebrar o Heavy/ Power metal europeu numa das suas expressões mais melódicas e intensas, num cartaz que cruzou um nome consagrado com uma proposta emergente da cena nacional. Antes da subida ao palco dos alemães Brainstorm, coube aos portugueses Glasya abrir a noite, assumindo com segurança a responsabilidade de abrir as hostes. Numa semana difícil para todo o País, a banda saudou a deslocação dos diversos fãs que apesar do temporal marcaram presença.

GLASYA


Formados em 2017, os Glasya situam-se no campo do Metal Sinfónico, cruzando influências de Gothic Metal e uma abordagem moderna e atmosférica, onde a criação de ambiente se sobrepõe à agressividade direta. A banda resulta do encontro de músicos com percursos distintos — provenientes de projetos como Shadowsphere, Enchantya ou My Deception — e essa diversidade reflete-se numa sonoridade coesa, mas multifacetada. Em palco, a proposta assenta em riffs densos, teclados envolventes e numa forte componente emocional, conduzida pela voz e notável presença da vocalista Eduarda Soeiro.


O concerto funcionou também como uma montra natural para Fear, o mais recente álbum da banda, um trabalho que aprofunda a vertente mais sombria e engloba vários elementos modernos. A resposta do público — atento e recetivo — confirmou que, apesar de frequentemente subvalorizado no panorama nacional, o metal melódico encontra nos Glasya uma proposta consistente e com identidade própria. Para quem não conhece e quer entrar no universo da banda, sugiro três músicas que funcionaram na perfeição ao vivo: “Rising Wildfire, Fear e a já consagrada “From Enemy to Hero”. Da nossa parte, desejamos que esse reconhecimento continue a crescer através não só da sua enorme qualidade musical, mas também pelo seu profissionalismo e dedicação.

BRAINSTORM

Quanto aos aguardados Brainstorm, assim que subiram ao palco, ficou claro desde os primeiros minutos que a noite seria conduzida com mão firme. A entrada com “Devil’s Eye” estabeleceu de imediato o tom: riffs musculados, refrões épicos e uma execução irrepreensível, apoiada numa sonoridade limpa e poderosa. Andy B. Franck, carismático como sempre, assumiu o papel de maestro da noite, equilibrando intensidade vocal com uma comunicação direta e honesta com o público. Uma dinâmica bastante peculiar e intimista onde o RCA ainda que a meio gás a nível de afluência, entoou os coros como estivesse lotadíssimo.


Um dos momentos mais marcantes da noite chegou com “The Boys of Summer”, apresentada como a sua estreia ao vivo a nível mundial. A receção calorosa confirmou que, mesmo após décadas de carreira, os Brainstorm continuam a arriscar e a renovar-se, sem receio de testar novas abordagens perante uma audiência fiel, mas também exigente. Após esta novidade e algumas músicas do mais recente álbum de 2025- Plague of Rats- como Garuda, entoada mais uma vez a todo o folego pelos die-hard fans de Brainstorm, a reta final do concerto foi praticamente dedicada aos hits do seu álbum mais vendido até à data, denominado Wall of Skulls. Tal indica que o melhor ficou mesmo para o fim e os Brainstorm deram tudo o que tinham através de músicas como Glory Disappears, Where Ravens Fly e, para terminar com chave de ouro, o encore foi o último momento de grande harmonia com o público através de Turn off the Light.


Muitas vezes são nestas noites peculiares onde se assiste a concertos pequenos que se sente o amor dos fãs por uma banda em específico e como a união num espaço pequeno pode criar uma atmosfera igualmente transformadora. Foi isso que senti durante o concerto dos Brainstrom na passada quarta-feira onde, sem conhecer a fundo o reportório da banda, entrei no espetáculo de forma automática e contagiei-me pela sua energia e profissionalismo, algo que os caracteriza desde a sua formação em 1989.


Não podíamos deixar de realçar o excelente trabalho da promotora Metals´Allience e o seu esforço em organizar eventos para os verdadeiros fãs que acompanham bandas além-fronteiras e por nos receberem sempre de braços abertos para testemunhar noites de peso. No balanço final, esta noite no RCA foi uma humilde e digna celebração de metal. Com uma banda de abertura nacional à altura do desafio e uns headliners em plena forma, ficou claro que por mais nicho que uma banda seja, continua a encontrar palco, voz e público fiel em Portugal.

Créditos

Fotografia

Joāo Ribeiro

Artista

Brainstorm, Glasya

Local

RCA Lisboa, Lisboa, Portugal