No passado dia 27 de fevereiro de 2026, os Terramorta, acompanhados pelos mestres do Death Metal italiano, Hideous Divinity, e pelos portugueses Crucivore e Blasphemous Blade, apresentaram o seu novo álbum, lançado a 26 de dezembro de 2026, “The Fading Lumina’s Embrace”, no RCA Club.
Abriram as hostes os Blasphemous Blade, uma banda recente formada no ano de 2024 que ainda não conta com qualquer elemento na sua discografia, mas que apresenta uma energia brutal e cativante. Apresentaram o seu Death Metal e abriram a noite no RCA Club. Os seus vocais variam entre guturais graves e “screams” agudos. Mostraram uma sonoridade Death Metal com bastante groove rápido e com a presença também de “blast beats” que faziam o público do RCA rodar.
A banda conta com duas guitarras: uma que apresenta riffs serrados e outra que realiza excelentes solos, totalmente bem executados. No final da sua atuação, o vocalista desce do palco e vem largar a sua energia junto do público com um tema onde a velocidade extrema marcou presença.
No último tema, também o guitarrista desceu do palco para motivar e cativar uma vez mais o público com um tema, tal como o anterior, marcado pela velocidade, crowdsurfing, mosh pits e até Wall of Death. O público aqueceu de todas as maneiras. Os Blasphemous Blade demonstraram que são uma banda com ótimo potencial e o seu público aguarda ansiosamente pelos seus primeiros lançamentos (EPs ou álbuns).
E o Death Metal continua pela capital com a segunda banda da noite.
CRUCIVORE
Um novo projeto formado no ano de 2025, entregando ao público uma descarga de Brutal Death Metal. Apresentaram ao público o seu Brutal Death Metal com algumas pitadas de Slam. Foi uma apresentação que contou com os vocais de Ricardo Bugs (ex-Analepsy), que são guturais, enérgicos e incluem também “pig squeals”.
A banda foi acompanhada por uma guitarra cortante e por um baixo bem presente, com um bom groove e uma boa energia para aquecer o público para as próximas apresentações da noite, muito marcado pelos potentes breakdowns. Foi uma atuação intensa, com foco no peso e na energia.
Apresentaram um dos seus temas com o convidado especial Fábio, vocalista de Inhuman Architects, e marcaram também a estreia do baixista César, substituindo Cláudio Melo. Os Crucivore mostraram que se afirmam nos palcos do Brutal Death e deixaram o público preparado para a reta final da noite.
TERRAMORTA
Chega um dos grandes momentos da noite. Dois estandartes com duas cruzes invertidas são colocados em palco e inicia-se a apresentação de Terramorta e do seu novo álbum “The Fading Lumina’s Embrace”. Surge uma densa introdução atmosférica que demonstra ao público que seria levado por uma densa viagem que atravessa vales mitológicos cercados de nevoeiro, onde a escuridão penetrava a mente de cada ouvinte.
Dan Vesca apresenta vocais rasgados, acompanhados pelas guitarras de Carlos Ribeiro e Cristiano Fonseca, enquanto o baixo de Adriana sustenta todo o peso da banda. Gaspar Ribeiro foi o responsável por esmagar a bateria e apresentar ritmos ultra rápidos e blast beats esmagadores.
A banda apresentou os seus trajes rasgados e lamacentos e temas com riffs muito baseados na fusão entre Black Metal e Death Metal, com introduções épicas e melódicas, marcadas por diversos momentos onde a melodia venceu a violência. A resposta do público foi incrível, com um público bastante ativo, desde headbangs até moshs e crowdsurfing.
Foi um concerto onde a técnica se juntou com a brutalidade para um ataque insano. A bateria continuou a esmagar, mas nunca apagou a melodia praticada pela banda; simplesmente deu uma brutalidade extra.
Apresentaram uma setlist perfeita, onde os grandes destaques foram temas como “Caronte”, uma temática incrível e profunda sobre mitologia; “Baba Yaga”, um tema com um riff viciante que fica no ouvido do ouvinte; e “Agent of Change”, que contou com a participação do vocalista de Hideous Divinity, com a sua voz onde a brutalidade reina. Sem dúvida, foi um dos pontos altos da noite.
Os Terramorta encantaram o público com a sua apresentação ao vivo, onde a energia, execução e entrega ao público fizeram toda a diferença. Um potencial incrível onde a sua evolução é cada vez mais notável. O público ficou totalmente entusiasmado com esta apresentação.
Segue-se então a atuação dos mestres do Death Metal italiano, diretamente da capital Roma, que se deslocaram até terras lusitanas para apresentar dois concertos onde a violência e agressividade avassalaram Lisboa e Vila Nova de Famalicão.
HIDEOUS DIVINITY
Apresentaram o seu Brutal Death Metal Técnico com precisão cirúrgica. Formados em 2007, contam com cinco álbuns de estúdio e atuações estrondosas. Quem esteve no RCA Club testemunhou uma força esmagadora, onde o Death Metal técnico da banda se fundiu com uma brutalidade crua, resultando numa onda sonora de destruição pura.
O som da banda assenta num groove avassalador que funciona como uma parede de som constante. A precisão técnica é absoluta. Apresentaram uma bateria tocada por Edoardo Di Santo com uma sonoridade agressiva e implacável, dominada por blast beats constantes.
Serviu de apoio um baixo tocado por Stefano Franceschini, que segurou todo o peso titânico da banda. Os riffs e solos de Enrico Schettino criaram uma dissonância perturbadora, executados com um apuro técnico invejável, guiando os temas a ritmos de galope e verdadeiras “cavalgadas” sonoras.
O vocalista Enrico Lorenzo é o epicentro da energia. Com uma postura brutal e agressiva, alternou com mestria entre screams agudos e guturais profundos, contagiando um público que já estava em ebulição.
A dinâmica do concerto foi marcada por uma alternância entre quebras de ritmo e breakdowns esmagadores, seguidos de novas descargas de violência rítmica. A energia em palco traduziu-se em violência no mosh pit, com a banda a puxar constantemente pela audiência. Um dos temas contou com a participação de Dan Vesca, onde as duas vozes se uniram e avassalaram todo o público.
O encerramento foi digno de registo. Após uma breve pausa, onde o silêncio era interrompido por pequenas descargas sonoras intermitentes, a banda agradeceu a Lisboa e prometeu um regresso rápido. O tema final foi a derradeira parede sonora, com os blast beats a “cavalgarem” sobre os presentes, selando uma noite de destruição técnica memorável.


