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GBH e Deaf Devils – O Punk não dá descanso

Não poderia ser mais indicado do que em Alvalade, conhecido pelo seu histórico fervor punk, onde tivemos o breve regresso dos grandes GBH a Portugal, no dia 7 de Março de 2026. Uma banda não só veterana, mas que ainda continua a ser respeitada internacionalmente, justificando plenamente o seu prestígio junto das várias gerações de fãs.


O RCA Club esteve bem apertadito e bem punkito, com malta da velha guarda e novo sangue, para uma bela noite de rock & roll. A abrir as hostilidades tivemos os Deaf Devils, banda de Valência com uma garra enorme para o rock & roll, que foram bem escolhidos a dedo. Liderados pela enorme Lucyfer, com Pipe Dead na guitarra, Kuba no baixo e Eric Von na bateria, este quarteto aprendeu bem todas as lições de Turbonegro e The Hellacopters.


Bem-dispostos, energéticos e impecáveis, nunca houve um momento aborrecido. Com um álbum homónimo e uns quantos singles (tocaram “Boom”, “Dancing With the Devil” e “Lucyfer”), sentiu-se, e de que maneira, a fresca mas quentinha descarga elétrica dos Deaf Devils. Tivemos até direito a três covers: uma rendição de “Rumble”, de Link Wray; uma de The Stooges, “I Feel Alright”, com o “Jock” dos GBH a ajudar na festa; e, para rebentar com a sala toda, “Too Drunk to Fuck”, dos Dead Kennedys, tocada no meio do público. What else? Foi mesmo fixe e mais do que recomendado a estarem atentos.

GBH

O rock & roll não abrandou com os GBH, muito pelo contrário, foi só mais intenso. Com uma setlist repleta de clássicos (quase com as malhas todas de City Baby Attacked by Rats e City Baby’s Revenge, e mais algumas pepitas picantes como “Momentum”, “Knife Edge” ou “I Never Asked for Any of This”), o mosh pit nunca descansou, sempre a entornar alguma cerveja aos malucos que estavam no meio.

Para ter a derradeira experiência dos GBH, é recomendado estar perto do caos, porque é lá que está tudo a acontecer. Volto a frisar que a malta não ficou parada. Não dá! As pessoas a berrarem a “Sick Boy” ou a “City Baby Attacked By Rats, demonstra um carinho e respeito por uma cena que ainda motiva e inspira, a quem quer estar realmente ali. A voz de Colin Abrahall continua uma autêntica lixa enferrujada. Impossível de imitar e perfeita para este tipo de caos. Acompanhado com a sua tropa de elite, com o riff master Colin “Jock” Blyth, Ross Lomas no baixo e D-Beat master Scott Preece, nos atiraram para uma viagem frenética e urgente. Só uma banda forjada nas ruas e fábricas de Birmingham consegue transmitir uma verdadeira lição de história vista de frente, onde ainda se sente o fedor de outros tempos.

Não houve grandes discursos, apenas música rápida, direta e tocada como se as músicas fossem feitas ontem. No final tivemos ainda a rendição de “Bomber”, dos Motörhead, que encerrou esta poderosa invasão britânica. Tocar Motörhead nunca desilude.

Punk não é nostalgia. Punk é quando uma banda com mais de 40 anos ainda consegue transformar uma sala num pequeno motim, deixando todos os presentes felizes, suados e ainda com vontade de beber mais umas cervejas.

Créditos

Fotografia

Vitor Lage

Crítica

Francisco Moura

Artista

GBH, DeafDevils

Local

RCA Lisboa, Lisboa, Portugal