DIA 2
Já com as pilhas carregadas, o segundo dia foi direto ao assunto: mosh e velocidade.
Capela Mortuária, diretamente de Braga (Poço), abriram as hostilidades com thrash rápido e sem rodeios. Para quem costuma ir a concertos de Thrash por cá, sabe o clássico ditado, “TOCA SLAYER!”. O concerto começou com ‘Morto’, com uma interpolação inteligente de “Dead Skin Mask”. Assim o pessoal já não precisa de pedir mais, pois o favor já foi feito. Siga para bingo! Ainda com o Monstro na bagagem, Jay, Júlio, João, Maria e Jordi, foram sempre impecáveis e provaram que o Thrash como deve ser, tem que ser rápido e eficaz. Ecoaram os clássicos “Pornocultura”, “Ego” e “Estranho”, entre outras cantigas, sem nunca dar descanso ao pessoal. Como sempre, existe espaço para uma “Troops of Doom” dos Sepultura. É um cover que nunca falha e sabe sempre bem ouvi-la tocada ao vivo. Para uma banda que abre o dia do festival, a adesão foi mesmo muito forte, igualmente a mais um intenso e delicioso concerto, de uma das bandas mais imperdíveis por cá.
Seguiram-se os Equaleft do Porto, liderados pelo mestre Jedi, Miguel Inglês, mostrando o groove do Djent a Caneças. Com mais de 20 anos de carreira e com 3 discos na bagagem, este quarteto da Invicta mostra uma variedade de ideias e texturas, energizando a malta toda. Começando o concerto com a “New False Horizons”, logo se pode sentir as vibrações na sala que iríamos ter uma boa descarga. A relembrar que na “Endure” foi dedicada ao Johnny dos WAKO, que infelizmente nos abandonou no início do mês de Março, tornando o momento ainda mais especial. Logo na música a seguir, o Paulo Rui invadiu o palco para tocar a “To Step”, uma malha mais rock & roll do repertório dos Equaleft, que calhou que nem ginjas. Acabando o concerto com a “We Defy” de 2019, a malta sabe que todos os concertos deles, tem de haver a procissão da entrega de húngaros para o pessoal, sendo não só um gesto bonito do nosso Jedi, mas como forma de alimentar o pessoal para aguentar o festival. Isto ainda não vai bem a meio…
Como previamente mencionado, Besta são Paulo Rui, Rick Chain, Paulo Lafaia e Ricardo Matias, uma mistura de Grindcore, Death Metal e ainda com um bocadinho de Crust, cantado em português. Como os Besta estão a apresentar a reedição do John Carpenter Redux, o concerto foi quase todo dedicado a vários filmes do mítico realizador americano. Entraram a acelerar e não abrandaram. Paulo Rui, incansável, manteve a ligação com o público, entre berros, caos e crowd surf. Sem surpresas. Como tem de ser.
Com direito a faixas do Eterno Rancor e Terra em Desapego, nunca faltou jarda das guitarras e crowd surf do Paulo. What else?
A seguir veio Thormentor de Almada, com o seu Tech Death, muito Old-school, mas bem vivo e pujante. Esclareço que esta mítica banda é um dos projetos do Miguel Fonseca (guitarrista de Bizarra Locomotiva), em que durante mais de 20 anos, se pensou que nunca voltariam a estar em palco ou a voltar a lançar nova música. Felizmente estamos na dimensão certa para tal. Apesar de terem só um disco, o Abstract Divinity (1994) foi um concerto que recuperou faixas de demos que remontam a 1988, ou seja, mesmo do arco da velha. Começando as hostilidades com “Nebula” e “Into the Death”, o concerto de Thormentor foi o único da noite em que não só não houve mosh, como também fez todo o sentido apreciar o que se está a passar em palco, porque realmente não é todos os dias que se vê uma banda destas. Engraçado que também se ouviu a versão deles da “Troops of Doom”, na qual confirma a importância deste clássico na vida de todos nós. Com a promessa de um novo álbum, esperamos então que chegue em breve, para nos podermos deliciar quando quisermos.
Para acabar as hostilidades, vieram os RAMP, também da margem Sul e é um grupo importantíssimo para quem viveu os anos 90/00. Com já mais de 35 anos de carreira, liderado por Rui Duarte, Ricardo Mendonça, Apache, João Gonçalves e David Mendonça (filho do Ricardo), reuniram os fãs para acabarem a noite desta edição do festival. Abrindo imediatamente com a “Insane”, foi o que bastou para abrir o mosh. Com um set que teve incluído clássicos como a “How”, “Alone”, “Blind Enchantment”, “Follow You” entre outras, nunca faltou interação positiva entre os presentes e a banda, que sempre puxou pelo pessoal. Tivemos também o mimo de ouvir o “Anjo da Guarda”, cover de António Variações, na qual em 2005, teve direito a um videoclip que passava na Sic Radical. Com direito a um encore com duas malhas, a obrigatória “Black Tie” e a thrashy “Try Again”, quem quis reviver parte da sua vida ali, conseguiu reviver uns bons momentos no meio de boa companhia.
Sem dúvida um grande fim de semana, neste último fim de semana solarengo de Março, que já deixa vontade de voltar no próximo ano, pois este festival tem pernas para continuar a ser um ponto de encontro de amigos e afirmar Caneças como um pequeno oásis para os amantes da música pesada. Resta agradecer ao Francisco Cordeiro e companhia pela iniciativa. Que venham mais edições da “Bilha d’Aço”.


