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Toxikull- Turbulence

Turbulence

Álbum

Turbulence

Nota

9 /10

Data de Lançamento

24/04/2026

Género

Metal

Os Toxikull sempre foram sinónimo de energia crua, velocidade e atitude. Desde os primeiros lançamentos, a banda prodígio nacional foi-se afirmando com um som enraizado no espírito mais visceral do Speed/Thrash metal, onde a urgência dos riffs e a agressividade direta foram a sua principal imagem de marca. Com o seu quarto e novo álbum de estúdio, Turbulence, esse ADN não desaparece- evolui.

Este novo capítulo apresenta uma banda a atingir o ponto alto de maturidade no que à sua sonoridade diz respeito. A crueza dos primeiros registos dá agora lugar a uma abordagem mais refinada e madura, onde a produção de Jaime Gomez Arellano assume um papel fundamental: mais limpa, mais definida e claramente pensada para dar espaço a cada instrumento para se destacar, tendo como ex libris a performence vocal de Lex Thunder, funcionando como elemento unificador da banda como um todo. Importa destacar que quando refiro estes pormenores não se trata de um abrandamento ou suavidade, mas sim de uma maturação e ampliação daquilo que a banda pode aportar.

Se Under the Southern Light, álbum anterior lançado em 2024, já tinha demonstrado a forma como os Toxikull são uma banda multifacetada, tendo em si inerente uma abertura a estruturas mais melódicas e épicas, Turbulence consolida essa direção. O álbum encontra um equilíbrio sólido entre a agressividade herdada do passado e uma clara inclinação para o Heavy Metal tradicional, com refrões mais heróicos, solos mais trabalhados e composições que revelam maior robustez.

É precisamente isto que encontramos nos primeiros dois singles revelados pela banda. O primeiro, “Midnight Fire”, lançado no início de fevereiro, certamente fez com que os fãs e ouvintes de Toxikull passassem a ansiar cada vez mais pelo lançamento do álbum na íntegra. Com a sua rapidez, riff de fundo e refrão que fica automaticamente na cabeça, a banda acertou em cheio na escolha do primeiro impacto a ser lançado ao público. Este funcionou como resumo de tudo o que precisávamos de saber sobre o que advinha do resto do álbum: energia, hinos que unirão os metalheads ao vivo, todos os elementos da banda na sua máxima forma musical e uma atitude que promete elevar os Toxikull a outro patamar, expandindo o seu público alvo.

O mesmo acontece com “Turbulence”, segundo single e faixa-título, lançado em março, diferindo do primeiro a nível de velocidade, contudo é mais trabalhado com uma linha de baixo bem audível por parte do talentoso Fernando, sobretudo a meio da música, que se fundo com um solo curto, mas bem executado por Michael Blade, que faz a ponte para a repetição melódica do refrão “Tuuuuurrrbuuuuuulenceeee…” até Lex Thunder elevar os seus icónicos agudos ao seu expoente máximo.

Neste sentido, os singles funcionam como porta de entrada perfeita para este novo momento da banda. Sem abdicar da velocidade e do impacto, apresentam uma faceta memorável, onde os refrões ganham protagonismo, sendo um ótimo exemplo disto a faixa “Dragon Magic”, lançada já no fim de março.

No entanto, apesar das três músicas mencionadas retratarem uma enorme evolução musical e criativa dos Toxikull, existem, na minha ótica, momentos de maior relevo neste seu novo álbum. Impossível não destacar aquele considero ser o seu ponto alto: “Strike Again”. Trata-se, na minha ótica, da música mais completa e com mais potencial num todo, tendo um início completamente devastador e supersónico, onde Tommy666 apresenta o seu duplo pedal na sua melhor forma, abrindo espaço para a entrada dos vocais de Lex Thunder, que nesta música revelam fúria na sua máxima plenitude. Após 2 minutos a toda a velocidade, remontando ao speed metal que os Toxikull sempre nos habituaram, a peculiar transição no meio da música para uma velocidade a meio tempo por parte do baixo e da bateria que funciona como prelúdio para um dos melhores solos de todo o álbum, é a maior valência desta música, que é certamente um hino e uma homenagem ao Heavy Metal na sua mais pura essência.

No mesmo contexto e patamar de Strike Again, surge a musculada “King of the Hammer”, uma música que apresenta bastantes peculiaridades, começando pelo seu ritmo thrashy e cavalgante, onde o baixo desempenha uma função crucial, passando pelo refrão sonante e, por fim, mas não menos importante, a pronúncia que Lex Thunder apresenta no início de vários versos, que remonta à forma de cantar, em alguns momentos específicos, de Rob Halford, sobretudo na forma vincada como pronuncia a letra “R”. Modéstia aparte, com o andamento, performance vocal e variações de ritmo, esta música poderia perfeitamente servir de base para alguns dos mais recentes trabalhos dos Priest (sim, os Judas Priest), álbuns esses que eu aprecio bastante. Potencial não lhe falta, mas pronto após este breve elogio voltemos à terra e a território nacional.

Para terminar este levantamento de especificidades do álbum, gostaria de fazer referência à música que encerra o mesmo: “Flame of Glory”. Além do riff cortante tradicional, é talvez o único momento ou aquele em que é mais nítida a total harmonia entre as guitarras de Lex Thunder e Michael Blade em certos trechos da música. Spoilers à parte, qualquer fã de Maiden vai perceber o que estou a dizer, daí este meu merecido destaque final.

Dito isto, Turbulence vem provar como os Toxikull continuam a soar fiéis a si mesmos. A agressividade mantem-se, os riffs continuam afiados, existindo agora uma nova dimensão de alcance e intenção que eleva o quarteto ao seu melhor momento. Este é, acima de tudo, um disco de afirmação. Um álbum que poderá fazer com que os Toxikull alcancem um patamar ainda maior que já há muito tempo merecem, contudo, como todos bem sabemos, viver aqui na periferia nunca é fácil. No entanto, está mais que patente que a banda já não precisa de provar nada a ninguém, sendo Turbulence um indicador fidedigno disso mesmo, bem como da ambição, profissionalismo e persistência da banda ao longo do seu percurso.

Inferindo, este novo álbum retrata de forma multidimensional aquilo que define os Toxikull, tendo passagens e sonoridades para todos os gostos. Desde o Hard`n Heavy dos singles, às poderosas e rápidas faixas mencionadas acima e passando pela peculiar e muito bem conseguida power ballad “Dying Star”, qualquer amante de metal tem muita qualidade com que se entreter, naquele que eu considero ser o álbum mais completo da banda.

METAL IS THE LAW!