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A digressão europeia de BIG|BRAVE arrancou na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa

Na passada quinta-feira (21/05), os BIG | BRAVE protagonizaram uma estreia íntima, que acabou por ser muito especial. Atualmente em formato de trio, a banda é composta por Robin Wattie (guitarra e voz), Mathieu Ball (guitarra) e Liam Andrews (baixo).

Presença regular em Portugal nos últimos anos, também com passagens pela ZDB, o grupo apresenta agora uma abordagem pouco convencional ao dispensar uma baterista tradicional. Em vez disso, recorre a pedais e loops, usados criativamente para construir momentos sónicos de grande impacto, daqueles que ganham verdadeira dimensão apenas ao vivo.

Este concerto antecipa o lançamento do próximo disco da banda, in grief or in hope, com edição marcada para 12 de junho, pela Thrill Jockey. Para quem acompanha universos ligados ao drone e à música experimental, o álbum afirma-se desde já como uma audição obrigatória.

Numa ZDB bem composta e acolhedora, e com o volume bastante elevado, foi possível sentir durante cerca de uma hora uma verdadeira parede sonora. A voz doce e poética de Robin introduziu uma leveza que contrastava com a vibração intensa criada por Mathieu e Liam, dando forma a um ambiente simultaneamente concentrado e refletivo. Entre ritmos gerados por overdubs e baixos profundos a ecoar pela sala, o concerto afirmou-se pela consistência da sua imersão. Pelo meio, a poesia cantada parecia convocar memórias de desapontamentos já ultrapassados, mas ainda inscritos no corpo. Dores antigas que o tempo resolve sem apagar por completo.

Ver os BIG | BRAVE ao vivo aproxima-se de uma espécie de lavagem interior. Uma experiência capaz de dissipar tensões com estranha delicadeza, sem nunca perder intensidade. Mesmo quando a atuação privilegia a permanência sobre a surpresa, a força do trio reside precisamente nessa capacidade de sustentar a tensão e transformar repetição em profundidade. Ainda assim, qualquer descrição fica aquém. A forma mais plena de compreender os BIG | BRAVE continua a ser estar presente e deixar-se atravessar por essas ondas sonoras.

No final, Robin agradeceu ao público e à organização por terem tornado possível este momento, deixando no ar a promessa de um regresso breve a Lisboa.

SETLIST:

  1. what may be the kindest way to leave
  2. a shape of shame~
  3. the ineptitude for mutual discernment
  4. holding tongue
  5. verdure
  6. skin ripper
  7. an uttering of antipathy
  8. in grief or in hope

Créditos

Fotografia

Joāo Ribeiro

Crítica

Francisco Moura

Local

Galeria Zé dos Bois, Lisboa, Portugal