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SONIC BLAST 2026 — WARM UP E PRIMEIRO DIA

Sonic Blast, onde reinam os riffs pesados e alguns concertos totalmente memoráveis. Vila Praia de Âncora encheu-se, nos dias 6, 7 e 8 de agosto, para receber todos os aficionados de Doom, Stoner e algumas sonoridades alternativas. O festival é marcado pelo seu excelente espaço, muito perto da praia e das ondas do mar.

Warm Up — Dia 6 de agosto

O Warm Up, no dia 6 de agosto, contou com os Wizard Master a abrir as hostes. Diretamente de Roma, apresentaram um excelente Stoner/Doom, com riffs pesados e lentos. Uma apresentação bastante atrativa da banda motivou o público, que já começava a encher o Palco 3 do Sonic Blast.

Seguiram-se os Spin The Skull, trio de Heavy Metal/Punk diretamente de Leiria, que começaram a agitar ainda mais as marés de Vila Praia de Âncora com a sua sonoridade mais rápida. Depois, foi a vez dos Capela Mortuária, uma banda muito acarinhada pelo underground do metal português. Diretamente de terras vizinhas, Braga, conseguiram colocar o público a arder com a sua velocidade e intensidade, algo já habitual em qualquer concerto da banda.

Provavelmente a banda mais aguardada do Warm Up do Sonic Blast chegou ao palco.

Diretamente de Madison, nos EUA, os Bongzilla chegaram e apresentaram a sua massa sonora densa, lenta e intensa, através de um Stoner/Doom muito inspirado também no Sludge.

Foi uma excelente apresentação, onde a rapidez não entrou em palco, mas a intensidade e o peso marcaram presença. A banda convenceu o público, que aguardava já pela sua apresentação novamente no primeiro dia do festival.

DIA 1

O primeiro dia do Sonic Blast 2026 ficou marcado por excelentes concertos, cheios de energia, com um público que correspondeu às expectativas. A tarde começou às 15h00, no Palco 3, com os Free Ride, diretamente de Madrid. Com o seu Rock Psicadélico, muito ao estilo do Fuzz dos Fu Manchu, realizaram uma excelente apresentação perante o público.

Seguiram-se os Clamm. O trio australiano, formado em Melbourne, apresentou o seu Post-Punk com influências de Garage Rock, agitando um pouco mais o público enquanto a tarde aquecia cada vez mais. Os britânicos Elephant Tree, diretamente de Londres, abriram o palco principal com o seu Doom/Stoner pesado e com uma ótima interação com o público.

A quarta banda do dia entrou em palco às 18h00, Trash Talk, com o seu Punk Hardcore, começou a agitar a areia de Vila Praia de Âncora. Diretamente de Sacramento, nos EUA, trouxeram uma atitude irreverente. O concerto foi marcado pela presença do vocalista no meio do público nos momentos mais agitados, desde os mosh pits até ao crowd surfing. A banda deu tudo!

Regressamos ao palco principal, onde eram esperados ansiosamente pelo público os ferozes Midnight! Um projeto a solo formado por Jamie Walters em 2003, com uma sonoridade característica e, podemos até dizer, única. Apresentaram o seu Black ‘n’ Roll, uma mistura de Black Metal com Speed Metal, Punk e Rock ‘n’ Roll. Foi um concerto memorável, onde a intensidade e as temáticas negras comandaram a apresentação.

Blasfémia, Satanás e assuntos de teor sexual, acompanhados pela sua guitarra Rock ‘n’ Roll, mas com uma sujidade e um tom negro muito próprios, encantaram e agitaram cada vez mais o público do Sonic Blast. Foi uma das melhores apresentações da 14.ª edição do festival.

Seguiram-se os Frankie and the Witch Fingers, com uma mistura de temas que passou pelo Indie Rock, Rock Psicadélico e Post-Punk. A banda agradou ao público de Vila Praia de Âncora, proporcionando uma apresentação bastante interessante, com uma grande variedade de subgéneros do Rock.

A noite chegou e, com ela, surgiram os Deafheaven, com uma magnífica apresentação, cativante e talvez uma das mais agressivas da história do Sonic Blast. Formados em 2010, diretamente do estado da Califórnia, nos EUA, apresentaram o seu Post-Black, misturado com Shoegaze, de uma forma melancólica, filosófica e crua. A apresentação contou com bastantes momentos de Metal extremo, alguns riffs de Black Metal e uma bateria a uma velocidade estonteante, carregada de Blast Beats cortantes.

A sua apresentação foi estrondosa. O vocalista marcou uma enorme presença em palco, com uma performance adequada aos seus temas e uma voz que variou entre screams rasgados e uma voz pacífica e calma. O público reagiu e a agitação foi notável. A agressividade dos seus temas passou diretamente para o público, tornando impossível ficar indiferente ao que ecoava no Palco 1 do Sonic Blast. Foi, sem dúvida, um dos concertos mais marcantes desta edição.

Diz o ditado que, depois da tempestade, vem a bonança. Mas, neste caso, estava errado.

Surgiu uma nova tempestade, totalmente diferente da anterior: os Chat Pile. A banda americana, diretamente de Oklahoma, apresentou a sua sonoridade Noise, intensa e sombria, onde a agressividade também reinou. Com um disco prestes a chegar em setembro e Raygun Busch cheio de boa disposição a falar dos filmes de Christopher Columbus, a ironia e o niilismo foram os pratos principais da noite.

A noite continuou, desta vez com os Snapped Ankles. A banda britânica de Post-Punk apresentou um concerto fora do vulgar, desde os seus trajes semelhantes a figuras folclóricas até à própria sonoridade, bastante singular. Contou também com bastantes elementos de música eletrónica, que surpreenderam bastante o público pela positiva.

Surgiram novamente os Bongzilla, que já tinham aberto as hostes e demonstrado o seu espetáculo no dia anterior, durante o Warm Up do festival. Sem dúvida, a sua apresentação foi uma excelente concretização de tudo aquilo que tinham para mostrar.

Uma setlist diferente, mas que continuou a atropelar o público. Intensidade e peso são a base da banda, com riffs cada vez mais lentos e pesados. Houve alguns momentos de aceleração, mas o peso da sua música continuou destruidor.

Os Mephistofeles, diretamente da Argentina, encerraram o Palco 2 com o seu Doom/Stoner e as temáticas clássicas do género: drogas, depressão e magia negra são alguns dos grandes temas da banda. Um concerto onde o peso também foi notável através dos seus riffs, ligeiramente mais rápidos do que os dos Bongzilla.

O público continuou com energia e terminou o primeiro dia com os portugueses Madmess e o seu Rock Psicadélico. Uma excelente apresentação da banda, formada em 2017 na cidade do Porto, encerrou assim o primeiro dia do festival.