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SLEEPWALKER FUNERAL — FORTVNA FAVET FRACTIS

Há bandas que fazem barulho para chamar atenção, a banda norte-americana Sleepwalker Funeral faz exatamente o contrário, transforma a dor em música, sem recorrer a artifícios ou exageros. Em FORTVNA FAVET FRACTIS, sexto álbum da banda lançado no passado dia 16 de junho, Christian Winter volta a abrir as portas do seu universo mais íntimo, entregando um disco que encontra força, precisamente, na vulnerabilidade.

Com apenas oito faixas e pouco mais de 22 minutos de duração, FORTVNA FAVET FRACTIS evita qualquer desperdício. Não há introduções longas nem momentos supérfluos. Cada música existe porque tem algo a dizer. A abertura, “i watched until there was nothing left”, estabelece, imediatamente, o tom do álbum. É uma descarga de agressividade que traduz o desgaste emocional e a sensação de assistir ao colapso da própria existência.

Em “nothing is real & i am alone”, a banda mergulha ainda mais fundo na alienação e na dissociação, oferecendo um dos momentos mais pesados e sufocantes do disco, tanto pela intensidade musical quanto pelo peso das suas letras. Já “one day you’ll be proud of me” acrescenta uma dimensão diferente ao álbum. Por trás da violência sonora, existe um desejo genuíno de aceitação e reconhecimento, tornando a experiência emocionalmente mais rica e evitando que o disco se limite apenas ao desespero.

Um dos momentos mais impactantes chega com “i walked into the river… with stones in my pockets”. A imagem criada pelo próprio título é devastadora e transforma a faixa numa das mais difíceis de ouvir, precisamente pela forma crua como aborda temas extremamente delicados.

Na segunda metade, “when everything was beautiful” oferece um breve momento de contemplação, olhando para um passado aparentemente mais luminoso, antes que “shadows speak in silence” desacelere o ritmo e dê maior espaço à atmosfera construída pela produção. O encerramento pertence a “you’re my favorite ghost”, uma despedida melancólica que troca a agressividade pela saudade, deixando no ar uma sensação inesperada de afeto e perda.

Estamos diante de um álbum curto, intenso e emocionalmente exigente, que dificilmente será ouvido de forma casual onde entrega uma mescla de elementos do metalcore ao metal alternativo para quem procura música extrema capaz de transmitir emoções reais, este é um trabalho que merece atenção.

André Alonso

Formado em Rádio e TV, cofundador do Metal Junkbox, louco por música e todos os seus aspectos e possibilidades, e viciado em shows, sejam eles Mainstream ou Underground. Participo ativamente das resenhas de álbuns e shows e da curadoria de bandas no Metal Junkbox. Sou apaixonado pela cena underground e por apoiar bandas que precisam de um espaço para apresentar seu trabalho da forma mais honesta e sincera possível.

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