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Fontaines D.C. dão início à D.C. EU Tour 2026 com concerto intenso em Lisboa

Na quarta-feira, 21 de outubro, os Fontaines D.C. regressaram a Lisboa para um concerto na MEO Arena, marcando o início da etapa europeia da D.C. EU Tour 2026. A apresentação aconteceu poucos dias após o lançamento de Dopamine Chamber, quinto álbum de estúdio da banda irlandesa, lançado a 16 de outubro.

Depois de passagens pelo NOS Alive, em 2022, pelo Vodafone Paredes de Coura e pelo Campo Pequeno, em 2024, e pelo Primavera Sound Porto, em 2025, a banda voltou a Portugal para um concerto em nome próprio na maior sala de espetáculos do país.

Chalk

A noite começou às 20h com os Chalk, dupla de Belfast que mistura post-punk, eletrónica e sonoridades industriais. A apresentação foi breve, com cerca de 25 minutos, mas bastante enérgica. A combinação de guitarras, bateria e elementos eletrónicos trouxe uma intensidade que ajudou a preparar o ambiente para a atração principal.

Mesmo com pouco tempo de palco, os Chalk entregaram uma performance dinâmica, com uma sonoridade que vai além do post-punk tradicional. A energia esteve presente durante toda a apresentação, funcionando como uma boa introdução para o que viria a seguir.

Fontaines D.C.

Foi então que, às 21h, os Fontaines D.C. subiram ao palco e deram início ao concerto com “Boys in the Better Land”, música do álbum de estreia, Dogrel, de 2019. A escolha colocou logo em evidência as raízes da banda, antes de “Here’s the Thing”, do álbum Romance (2024), e “Nabokov”, de Skinty Fia (2022), darem continuidade à abertura.

O concerto aconteceu num momento importante para o grupo, que acaba de lançar Dopamine Chamber. O novo álbum teve bastante espaço no alinhamento, com oito músicas incluídas na apresentação, entre elas “Marianne”, “Tongue”, “You Miss Me”, “Happy for You”, “Mimesis”, “Where Is Gone?”, “Japan” e “Six Shot Morning”.

Apesar de o disco ter sido lançado há poucos dias, as novas canções fizeram parte de uma setlist que também percorreu trabalhos anteriores. Ao todo, foram 19 músicas, distribuídas por quatro álbuns: Dogrel (2019), Skinty Fia (2022), Romance (2024) e Dopamine Chamber (2026).

Ao contrário de artistas que procuram manter uma comunicação constante com o público, Grian Chatten e os restantes integrantes dos Fontaines D.C. concentraram-se sobretudo na música. Não houve grandes diálogos nem longas conversas com a plateia, mas isso não tornou a apresentação menos intensa. Pelo contrário, a energia instrumental e a resposta do público mantiveram o ambiente vivo durante todo o concerto.

Outro ponto que chamou a atenção foi a forma como as pessoas acompanharam a apresentação. A plateia estava bastante entregue, mas era raro ver celulares levantados para gravar as músicas. Os registros apareciam principalmente nos temas mais conhecidos, quando muitos fãs queriam guardar o momento.

Fora essas ocasiões, o público parecia mais concentrado em acompanhar o que acontecia no palco. Num concerto com tão pouca interação verbal, essa entrega ajudou a mostrar que a ligação entre a banda e os fãs não depende necessariamente de conversas ou de demonstrações constantes de proximidade.

Ao longo da apresentação, músicas como “Jackie Down the Line”, “Roman Holiday” e “Big Shot” trouxeram de volta diferentes momentos da carreira dos irlandeses. Já “In the Modern World” e “Happy for You” mostraram outras nuances da sonoridade do grupo, alternando entre momentos de maior intensidade e passagens mais melancólicas.

A apresentação também reservou espaço para o álbum Romance, com temas como “Here’s the Thing”, “Bug”, “Favourite” e “Starburster”. Esta última ficou guardada para o encore, juntamente com “Japan”, “I Love You” e “Six Shot Morning”, que encerrou a noite.

Outro momento de destaque aconteceu durante “Where Is Gone?”, colaboração com Rosalía incluída no novo álbum. Sem a presença da cantora espanhola, Grian assumiu as duas partes vocais e levou uma bandeira palestiniana para junto do público, acrescentando um momento de posicionamento político à apresentação.

O alinhamento mostrou uma banda que continua a desenvolver a sua identidade sem abandonar o repertório que a trouxe até aqui. Entre as músicas mais recentes e os temas que já fazem parte da trajetória do grupo, houve espaço para diferentes fases, sem que o concerto perdesse a sua continuidade.

A ausência de grandes diálogos poderia fazer pensar numa apresentação mais distante, mas a sensação foi outra. A intensidade esteve presente na música e na resposta da plateia, criando um ambiente em que não era necessário interromper constantemente a atuação para manter a atenção de quem estava na arena.

Os Fontaines D.C. encerraram a noite com “Six Shot Morning”, faixa que abre o novo álbum e que marcou o fim do concerto em Lisboa. Em vez de terminar apenas com a nostalgia dos maiores sucessos, a banda optou por dar destaque ao trabalho que agora começa a apresentar ao público europeu.

Foi uma noite marcada pela energia dos Chalk na abertura e pela intensidade dos Fontaines D.C., que mostraram como a força de uma atuação não depende apenas da interação verbal com o público. Entre músicas novas, temas já conhecidos e uma plateia que, na maior parte do tempo, parecia preferir viver o concerto a registá-lo, a MEO Arena recebeu o início de mais uma etapa na trajetória da banda irlandesa.