Na noite de 22 de março todos os caminhos iam dar ao RCA Club em Lisboa, principalmente para os amantes da música pesada, pois marcava o regresso dos Guilt Trip á capital portuguesa, um ano após a estreia onde fizeram a abertura para a banda Architects em 2025. Este regresso teve a autoria da Hell XIS, reconhecida por trazer Grandes nomes da música Punk e Hardcore a terras da língua de Camões.
As portas abriram pelas 20h00, sendo que a primeira banda, os Soul Crusher que atuavam ás 20h30, a fila que se verificava era bastante longa visto que este concerto teve uma grande adesão e estava praticamente esgotado há já muito tempo, tínhamos portanto, todos os aperitivos para uma noite bastante quente.
A abrir a noite estiveram então os Soul Crusher, uma banda que deu o primeiro concerto de sempre, mas com membros já calejados na cena do Hardcore português e palcos nacionais, visto que Ricardo Dias (mais conhecido como Congas) foi vocalista de uma das bandas mais importantes do Hardcore nacional, os For The Glory, e Mike Ghost, guitarrista de bandas com um grande nome como Men Eater e More Than a Thousand. O projeto que se iniciou em 2023, com um EP denominado “Keep On Pushing”, trouxe de volta estes membros às origens com um estilo mais Hardcore. A banda fez a sua estreia em palco neste mesmo dia, numa casa que ainda estava a meio gás, com as pessoas a adentrar o recinto. Mas, apesar da ainda reduzida afluência dentro da sala, a banda entregou uma atuação bastante sólida, onde Congas era bastante ativo a falar com o público e a puxar pelo mesmo, afinal de contas, a experiência neste tipo de andanças é um luxo que não é para qualquer um. O concerto teve uma duração aproximada de 25 minutos, funcionando como um arranque para aquecer o ambiente para as bandas que viriam a seguir e também para deixar os ouvintes e amantes do hardcore nacional a salivar por um próximo concerto da banda.
Pelas 21h10, como previsto, subiram ao palco os MEDO, banda algarvia de punk hardcore e já com o RCA bem mais composto. A resposta do público fez-se sentir desde cedo, com os primeiros two steps e stage dives a surgirem no meio da plateia. Habituados ao palco do RCA, os MEDO demonstraram que não tiveram medo da tarefa que era abrir os cabeças de cartaz e, com grande confiança e personalidade, não se limitaram a ser apenas uma banda de abertura, deram um show deles mesmos, numa casa que bem conhecem. Entre temas mais conhecidos como “Música de Embalar”, “50 Pecados Mortais”, “Somos Nós”, “Ritual Ancestral”, que até contou com a participação especial de Congas da banda Soul Crusher, mostrando que há muita união no hardcore português, e “Cadáver”, que foi a música final e esta que acaba todos os concertos de MEDO. Em cerca de 30 minutos, divididos em 8 músicas, os MEDO detonaram a pólvora necessária para o que havia de vir a seguir e que toda a gente estava à espera.
A responsabilidade de fechar a noite coube então aos cabeças de cartaz Guilt Trip, banda inglesa de Hardcore oriunda de Manchester e formada em 2015. Considerados um dos nomes em ascensão no hardcore do Reino Unido, trazem consigo uma sonoridade marcada por riffs pesados, breakdowns agressivos e uma fusão entre o hardcore moderno e influências de thrash metal, criando momentos de grande intensidade e energia para quem os assiste.
O concerto arranca então pelas 22h05 com “Burn”, e foi o suficiente para imediatamente o RCA Club se tornar um alvoroço. O mosh pit ganhou forma logo nos primeiros segundos da música e tornou complicada a permanência dos que não se aventuraram mais para a frente, com o tamanho do clarão que se abriu na casa com os participantes do mesmo mosh. A segunda música foi “Sweet Dreams” e, se a casa já estava incendiada com as performances das bandas anteriores e com a “Eyes Wide Shut” fez o público explodir ainda mais, o ambiente ficou finalmente num concerto arrepiante típico de Hardcore.
Após esta música, houve a apresentação oficial da banda, com o vocalista Jay Valentine a pronunciar as primeiras palavras aos presentes e incentivando as pessoas a aderirem ainda mais ao mosh, stage dives e two steppers.
Os Guilt Trip mostraram total controlo do palco e da sala, proporcionando um espetáculo que rapidamente se afirmou como um dos mais marcantes já vividos no RCA. A sala, conhecida como uma das melhores do país para concertos de punk hardcore, esteve à altura: quente, caótica e vibrante, com um público visivelmente exausto, mas igualmente satisfeito e entusiasmado com a experiência.
Após várias das músicas mais famosas da banda, entre as quais “Separate”, onde se abriu o RCA quase pela metade com um wall of death, e “Angel Eyes”, que está presente no último EP da banda lançado em fevereiro passado.
Mas quem achasse que o concerto, que se aproximava dos últimos minutos, ia acalmar enganou-se por completo, porque já na reta final, a banda anunciou que faltavam apenas duas músicas, entre elas “Thin Ice”. Estavam a terminar a última música e surpreenderam ao revelar que afinal tinham “mentido”. Para fechar o alinhamento principal, brindaram o público com um cover de “Davidian”, dos Machine Head, elevando ainda mais a intensidade dos momentos finais.
Para quem achava que as surpresas tinham acabado, pois bem, os Guilt Trip são conhecidos por atuações explosivas e, quando já se fazia ouvir a música pós-concerto e parte do público começava a abandonar a sala, surgiu a última surpresa da noite. Os Guilt Trip regressaram ao palco para mais um tema, arrancando uma reação imediata de quem ainda se encontrava no recinto e fazendo com que muitos dos que já se dirigiam à saída voltassem rapidamente para trás, para não perder esta derradeira descarga de energia vinda do Reino Unido.
Atuando pela segunda vez em Portugal, os Guilt Trip foram muito bem acompanhados pelos Soul Crusher e pelos MEDO, e todas as bandas tornaram o domingo, 22 de março, um dos melhores momentos mais recentes do Hardcore em Portugal, mostrando que está bem vivo e para ficar.
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