Reviews de Shows

O dia em que Lisboa conheceu o encontro do xote e do maracatu com o metal extremo do Papangu

Na sua primeira passagem por Lisboa, a banda brasileira Papangu transformou o palco do Musicbox num verdadeiro laboratório sonoro. No dia 13 de agosto de 2025, o público presente testemunhou uma performance intensa e visceral exatamente como a divulgação prometia e nos do Metal Junkbox estivemos presente para trazer todos os detalhes desta noite inesquecível.

O espetáculo foi uma verdadeira travessia sem limites sonoros. Ancorada no rock progressivo e no metal experimental, a banda entrelaçou influências que iam da força do Sepultura à inventividade de Hermeto Pascoal, passando pela ousadia do King Crimson e chegando a pulsos de ritmos nordestinos, onde o sotaque e a identidade cultural se misturaram à atmosfera densa e envolvente do som. O resultado foi um show de contrastes: momentos intensos e pesados se alternaram com passagens sutis e quase cinematográficas, transportando boa parte do público brasileiro presente diretamente de volta à sua terra natal — ainda que apenas por instantes.

Em um palco pequeno, a banda conseguiu mostrar toda a sua grandeza através de uma sonoridade gigantesca que preenchia cada espaço do Musicbox, não só pela qualidade técnica brutal dos músicos como o enorme carisma de quem interagia constantemente com o publico, ora ensinando parte das letras, ora cobrando ajuda no coro, ou mesmo chamando seu amigo Pedro diretamente da plateia para colaborar com seu pandeiro mesclando mais uma vez toda a brasilidade que o Papangu carrega com um metal progressivo de deixar qualquer um alucinado.

Canções como “Maracutaia”, “Boitatá (Incidente na pia batismal da Capela de Bom Jesus dos Aflitos)” e “Acende a Luz: I. Alquimia”, todas do mais recente álbum Lampião Rei — aclamado por crítica e público — tiveram grande destaque e mostraram toda a sua força em versão ao vivo. Ao final da apresentação, ficou evidente porque Papangu já vinha sendo apontada como “o show imperdível de 2025”. Mais do que um simples concerto, tratou-se de uma experiência imersiva, sensorial e arrebatadora, que deixou em Lisboa a marca de uma das bandas mais criativas da cena brasileira contemporânea.

Vitor Lage

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